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27 Noites (Netflix): quando a técnica falha e o cuidado vira controle

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  O filme 27 Noites não é apenas uma obra sobre saúde mental ou velhice. Ele é, sobretudo, um retrato incômodo de como instituições, famílias e saberes técnicos podem se articular para silenciar sujeitos, mesmo quando o discurso é de cuidado e proteção. Sob a lente do Serviço Social, o que se vê é um campo fértil para reflexão ética, política e profissional. A personagem Martha — a senhora internada — representa algo muito maior do que um caso individual. Ela encarna a velhice que não aceita ser dócil, controlada ou previsível. Sua autonomia incomoda. Seu modo de viver escapa às normas. E, por isso, passa a ser tratado como problema. O filme expõe com clareza um processo conhecido na prática profissional: a patologização da diferença. Quando o comportamento não se ajusta ao esperado socialmente, a resposta institucional costuma ser rápida: diagnóstico, internação, afastamento da vida social. Pouco se escuta. Pouco se dialoga. Decide-se sobre a pessoa, raramente com ela. As filhas s...